Uber Moto em São Paulo reacende debate sobre seguro e proteção para motociclistas

Uber Moto em São Paulo reacende debate sobre seguro e proteção para motociclistas

A possibilidade de expansão do transporte de passageiros por motocicletas em São Paulo colocou novamente em evidência um assunto que vai muito além da mobilidade urbana: a proteção dos motociclistas que utilizam a moto profissionalmente.

Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o credenciamento da Uber para oferecer o serviço de transporte de passageiros por motocicleta na capital. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, anunciou que recorreria da decisão, defendendo regras mais rígidas para a operação.

No centro dessa discussão está o seguro.

O crescimento de modalidades como Uber Moto, mototáxi, entregas e outros serviços realizados sobre duas rodas cria um perfil de utilização bastante diferente daquele de quem utiliza a motocicleta apenas para deslocamentos pessoais.

São mais horas circulando, maior exposição ao trânsito e, consequentemente, uma análise de risco diferente por parte das seguradoras.

Uso profissional exige uma análise diferente

Para Neemias Silveira, diretor-executivo da NTSC Consultoria em Seguros, a expansão desse tipo de atividade precisa ser acompanhada com atenção pelo mercado segurador.

Em entrevista à Revista Apólice, o corretor destacou que o transporte de passageiros por motocicleta possui exposição significativamente superior ao transporte realizado por automóvel, principalmente em grandes centros urbanos como São Paulo.

Essa diferença é importante também na contratação do seguro.

Ao buscar um seguro de moto, o motociclista deve informar corretamente como o veículo é utilizado. Uma motocicleta utilizada apenas para lazer possui características de risco diferentes de outra utilizada diariamente para trabalho, entregas, visitas comerciais ou transporte de passageiros.

Essas informações ajudam a seguradora a avaliar corretamente o risco e oferecer uma cobertura compatível com a atividade exercida.

Sinistralidade interfere diretamente no preço

Outro ponto destacado por Neemias é a sinistralidade.

Quando a quantidade ou o custo dos acidentes aumenta em determinado segmento, a tendência é que as seguradoras reavaliem suas políticas de aceitação e precificação.

“Se aumentar a sinistralidade, a aceitação das seguradoras diminui e a precificação sobe. Isso acaba sendo ruim para todo mundo: para o mercado, para os consumidores e para os próprios motociclistas”, afirmou o executivo à Revista Apólice.

Por isso, a seleção adequada dos profissionais que trabalham com transporte de passageiros também pode ter reflexos no próprio mercado de seguros.

Na avaliação de Silveira, critérios que valorizem condutores mais experientes podem contribuir para reduzir riscos e facilitar o desenvolvimento de produtos voltados especificamente a esse segmento.

Seguro não deve ser visto apenas como custo

Um dos desafios ainda presentes no mercado é fazer com que o motociclista enxergue o seguro como uma ferramenta de proteção e não apenas como mais uma despesa mensal.

A motocicleta, principalmente quando utilizada profissionalmente, muitas vezes é também uma fonte de renda.

Um acidente, roubo ou furto pode representar não apenas a perda ou danos ao veículo, mas também a interrupção da atividade profissional.

Por isso, escolher uma cobertura adequada ao perfil de utilização é fundamental.

Além da proteção da própria motocicleta, existem coberturas que podem incluir responsabilidade civil, assistência 24 horas e outras proteções importantes, dependendo das condições oferecidas por cada seguradora.

Mercado pode crescer com maior concorrência

A entrada de novas modalidades de mobilidade pode também incentivar seguradoras a desenvolver produtos mais específicos para motociclistas profissionais.

Segundo Neemias Silveira, se esse mercado conseguir apresentar resultados sustentáveis, novas seguradoras poderão demonstrar interesse pelo segmento.

E uma maior concorrência tende a beneficiar o consumidor.

Mais companhias disputando o mesmo perfil de cliente significa maior diversidade de produtos, coberturas e condições comerciais.

O desafio está justamente em equilibrar crescimento e controle de risco.

A expansão indiscriminada, acompanhada de alta sinistralidade, pode produzir o efeito contrário: reduzir a quantidade de seguradoras interessadas em assumir esse risco e elevar os preços.

Proteção adequada começa pela contratação correta

Independentemente dos próximos capítulos envolvendo Uber Moto e outros serviços semelhantes, a utilização profissional das motocicletas continuará crescendo nas grandes cidades brasileiras.

Para quem depende da moto diariamente, procurar orientação especializada pode evitar problemas no momento em que a cobertura for necessária.

Na NTSC Seguros, cada proposta pode ser analisada considerando o perfil do motociclista, a utilização do veículo e as opções disponíveis no mercado segurador.

Mais do que encontrar um preço, o objetivo deve ser contratar uma proteção compatível com a realidade de quem está sobre duas rodas todos os dias.



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